Lauro Machado
Confira mais trabalhos aqui e aqui.

[Zupi] Em primeiro lugar, conte-nos um pouco sobre você.
Sou formado pela UFRJ. Durante a faculdade participei do projeto de orientação e sinalização do hospital universitário Clementino Fraga Filho, que por falta de verba nunca foi produzido. Trabalhei na 20/01, escritório dirigido pelo Jair de Souza, desenvolvendo trabalhos para o Comitê Olímpico Brasileiro, Companhia Vale do Rio Doce e outros clientes da área cultural; e na Ana Couto Branding & Design, onde participei do desenvolvimento da nova identidade visual do Unibanco. Trabalhei junto com dois sócios, Jamil li Causi e Rafael Saraiva, na Necas, a qual fechamos após a saída do Rafael. Eu e o Jamil decidimos criar o Estúdio Insólito, e atualmente desenvolvemos projetos diversos para clientes institucionais como também para o mercado editorial.
[Zupi] Em que momento da sua vida você começou a desenvolver seus dotes artísticos?
Difícil dizer. Na verdade foi um processo natural, sempre tive aptidão para o desenho, o que ajudou a desenvolver meu interesse pelas artes visuais.
[Zupi] O quê o inspira?
A vida cotidiana que me cerca, os elementos da contemporaneidade, as pessoas e minhas experiências de vida.
[Zupi] Nota-se um elemento futurista em suas obras. Quais são os artistas que o influenciam?
Gosto muito dos trabalhos da Beatriz Milhazes, do Matthew Ritchie, da Julie Mehretu e da Inka Essenhigh.
[Zupi] Conte-nos sobre seu trabalho em estúdio. Existem pessoas que trabalham com você? Que perfil de trabalho vocês procuram adotar?
A Necas surgiu informalmente como um grupo de produção multidisciplinar que envolvia poesia, literatura e artes visuais. Em meados de 2005, nasceu a vertente comercial da Necas - junto com dois grandes amigos de faculdade, Jamil li Causi e Rafael Saraiva. Depois do Rafael sair, eu e o Jamil criamos o Estúdio Insólito, o qual funciona sobre o mesmo conceito que o antigo, somos um escritório que tem como base a diversidade, tanto formal quanto conceitual e desenvolvemos projetos para os mais variados clientes, procurando sempre fazer o melhor trabalho possível.

[Zupi] Há uma linha tênue que divide o trabalho pessoal do profissional. Em que momento você acredita que seu trabalho amadureceu a ponto de transpassar esta linha?
Creio que o amadurecimento é fruto do exercício contínuo de estudo, esforço e dedicação. É uma busca constante do aprendizado e aperfeiçoamento, que não tem um ápice. Como disse, procuro adaptar ou incorporar minhas experiências visuais ao trabalho profissional. A fusão entre ambos é um objetivo utópico, um trabalho comercial possui uma série de exigências e obrigações que o distanciarão do pessoal.

[Zupi] Você procura dar ênfase à elementos brasileiros na sua obra?
Difícil dizer. A brasilidade influencia, mesmo que indiretamente, a todos que aqui vivem. É muito difícil estar imerso numa cultura, numa paisagem sem se deixar influenciar. Além disso, faz parte do processo de criação a percepção dos fatores sociais, culturais e até mesmo lingüísticos.
[Zupi] Quais as dificuldades encontradas no mercado brasileiro para o design?
Acho que os problemas estão interligados: a pauperização da cultura visual, o descrédito e a banalização da profissão. Isso tudo acaba repercutindo de diversas maneiras, refletindo uma sub-valorização.
[Zupi] Hoje em dia existem muitos cursos voltados ao design. Você considera necessário estudar para se tornar designer?
O estudo é primordial. A teoria fundamenta a prática consciente e consistente da atividade, possibilitando uma melhor dissertação e defesa dos trabalhos. Além disso, somente a formação de profissionais capacitados atenuará o atual cenário de dificuldades.
[Zupi] Você participou no desenvolvimento da identidade visual do Unibanco. Explique-nos qual a relação entre seus projetos pessoais e os projetos comerciais, caso exista influência entre ambos.
Os trabalhos pessoais são fundamentais para a exploração de possibilidades, que poderão ser aplicadas em futuros projetos comerciais.
[Zupi] Se você pudesse aconselhar novos talentos que visam trabalhar com o design, que conselho você daria?
Estudo constante, valorização da pesquisa e conceituação dos projetos, além de muito trabalho e dedicação.

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