Morandini
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Morandini
São Paulo, Brasil

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[Zupi] Morandini, qual sua relação com a área de design?

Para mim o design é um modo de vida. Sou profundamente interessado por tudo aquilo que é relacionado ao design em todos os seus campos e aspectos. Minha visão das coisas é extremamente ligada à estética e à  forma, que julgo tão importantes quanto a função. Esta minha abordagem fortemente estética em detrimento da função porém, é muito pessoal. Penso que a forma é também uma função e minha relação com o design é sempre por este viés.

[Zupi]Como você se define com relação à sua profissão?

Subversivo. Praticante do chamado design autoral, costumo caminhar na contra-mão das teorias acadêmicas, que pregam que o design não pode ter personalidade própria. Meus projetos respeitam sempre a cultura das empresas e a identidade dos clientes para os quais trabalho. Mesmo assim sempre coloco um pouco do meu “tempero”? nas coisas, o que acaba imprimindo um pouco do meu DNA criativo em cada projeto.

[Zupi] Como foi ter participado da Cow Parade? Por favor, conte com detalhes.

Foi um privilégio. Fui um dos primeiros artistas convidados para o Cow Parade São Paulo.  O Ron Fox, diretor da Cow Parade Holding viu meu site e disse que tinha gostado muito dos trabalhos. Ele enviou um e-mail para a empresa organizadora da Cow Parade aqui no Brasil, falando sobre meu trabalho e me indicando para o evento.  Isso foi ainda em 2004, quando o Cow Parade estava sendo planejado. Os contatos com a Swatch foram feitos no segundo semestre de 2005, pela Toptrends, empresa que organizou o evento em São Paulo.  A Swatch procurava um artista que tivesse um trabalho colorido, vibrante e alegre, que tivesse total afinidade com a imagem da marca.  A empatia entre as duas partes foi imediata. Além da evidente visibilidade do meu trabalho, nenhum evento ou exposição poderia proporcionar esse ní­vel de interação e contato direto com as pessoas.  Tenho recebido atéhoje inúmeros e-mails e telefonemas de pessoas de diversas classes sociais, faixas etárias e formação profissional com palavras de incentivo, perguntas, pedidos de orientação…Outro dia recebi um telefonema de uma senhora de 81 anos que tinha ido ver a Muuuwatch e tinha adorado as cores e o sorriso dela.  Ela se deu ao trabalho de chegar em casa, procurar meu telefone na lista só para solicitar um postal assinado para guardar de lembrança. Esse tipo de atitude é que confere ao Cow Parade um grau de importância muito grande para mim.

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[Zupi] Qual fonte de inspiração de seu trabalho?

A mais heterodoxa possível.  Alimento meu “arquivo visual”? em vários locais: revistas, grafites nos muros, pessoas, eventos…Quando algo me chama muito a atenção, faço uma anotação e guardo.  Sou um colecionador dessas anotações, que muitas vezes são incorporadas em algum projeto, seja para algum cliente ou de caráter pessoal.

[Zupi] O que são “garatujas”?

Garatujas são os primeiros rabiscos de uma criança.  Normalmente são desenhos sem pé nem cabeça mas que representam toda a espontaneidade e liberdade. Fazendo minhas garatujas, tento fazer com que meu trabalho não envelheça.  Quero preservar o frescor da expressão e a liberdade estética, mesmo quando os trabalhos estão atrelados às limitações que normalmente os projetos apresentam.

[Zupi] Porque você acha que a ilustração foi absorvida? pelo design?

Costumo dizer, para desespero dos meus colegas de profissão, que a ilustração acabou. Sou um designer que cria imagens. A profissão de ilustrador da maneira “romântica” como era há 15 ou 20 anos foi extinta. Hoje o mercado pede soluções mais versáteis e integradas.  Digo sempre que sou um malabarista que equilibra cores e formas pois é a definição mais completa para aquilo que faço. A ilustração passou gradativamente a ter mais importância quando agregada à visão global de um projeto de design.  Hoje é impossível dissociar uma boa imagem de um bom projeto gráfico. Ambos devem caminhar juntos desde os primeiros esboços.  Assim, a imagem já nasce dentro desse contexto visual não sendo mais uma manifestação gráfica isolada.

[Zupi] Como faz para as pessoas repararem em seu trabalho?

Independentemente dos rótulos - designer, ilustrador, artista gráfico - sigo trabalhando dentro daquilo que acredito ser um caminho legítimo.  Sendo autêntico e honesto comigo mesmo, os clientes acabam por se identificar com essa postura. São esses clientes os maiores responsáveis por dar visibilidade ao meu trabalho. Se em determinado momento eles pegam carona nos meus traços e na minha linguagem, no momento seguinte sou eu quem sigo viajando de carona nesses clientes e empresas.

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Entrevista feita por Mauro Boimel

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43 pessoas curtiram esse post.
postado em 11/05/2007 | 09:23 PM


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